Ui, há que tempos que não escrevo...
Ora bem, há 12 dias que estou a morar na Residência e muita coisa mudou. Quando vim para aqui pensava que iria haver festas todos os dias, mas afinal não, o pessoal é bastante calminho. Mas não se faz aqui faz-se lá fora, e Paris tem muita oferta. Conheci duas raparigas gregas, Elenh e Aggeliki que se tornaram as pessoas mais próximas aqui (mas calma, nunca vão substituir a minha Gatas) e ontem houve aqui uma festa, que supostamente deveria ser um grande de Boas vindas e de Carnaval, mas a admnistração da Residência viu os posters a anunciar isso e disse que não podíamos fazer uma festa sem pedir autorização à direcção uma semana antes. Rídiculo! Por isso fizemos a festa à mesma, mais pequena, mas muito boa! O vinho francês, o ouzo grego e uma porcaria qualquer de Anis andaram a rolar pelas mesas, assim como um bolo tradicional checo que vou fazer da próxima vez que tiver aí porque é mesmo muito simples (veêm? estou realmente a aprender coisas novas aqui! ahah). Os seguranças vieram, e nós evidenciámos o facto de não vivermos numa ditadura e termos o direito de fazer uma reunião com mais do que 5 pessoas. E não tínhamos música. Na realidade aquilo era só um jantar. Então eles acabaram por ir embora e a festa continuou! Foi a primeira festa aqui e foi mesmo muito boa, espero que se organizem mais. De resto tenho ido sair com uma rapariga finlandesa chamada Iina e um grupo de checas (há imensos checos aqui, não sei o que se passa) e aproveitado as coisas baratas da noite parisiense, que são bares com 3 concertos todas as noites e pagas só 5 euros com direito a uma cerveja ou vinho. Ou bares que oferecem comida grátis em certas noites e só tens de comprar as bebidas, que são tipo 3 euros. Yey! Já estou muito melhor do que estava no princípio. Morro de saudades de Lisboa e de todas as pessoas que estão lá, mas começo a descobrir a vida aqui também. Tenho de aproveitar, não é?
E a Ana vem cá daqui a quatro dias e aí é que Paris me vai saber realmente bem! Porra, tenho de descobrir o lado romântico desta cidade, ainda me falta isso =)
Ah, ontem na festa contei às gregas que a Ana não era a minha melhor amiga, mas minha namorada e elas ficaram muito contentes por eu ter confiado nelas e contado. Foi estúpido, fiquei tão nervosa antes de lhes contar, como se tivesse regredido 3 anos. Mas pronto, está tudo bem agora!
Bissous para todas as minhas lisboetas, scalabitanas (ok, és lisboeta também, mas não conta) e algarvias!
sábado, 28 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Agora não tenho tempo para escrever tudo o que se passou esta semana. Mas vou responder ao que a Catarina escreveu. Sabes, com estes dias aqui, tenho descoberto muitas coisas sobre mim e sobre a vida em geral. E não as descubri no fundo de uma garrafa, como seria de esperar nas festas de Erasmus. Descobri que o que conta realmente não é o sítio onde estás, mas sim as pessoas. São as pessoas que quebraram as nossas barreiras e entraram dentro de nós que realmente contam. Eu estou aqui a conhecer muita gente nova e provavelmente alguém o conseguirá fazer, mas a verdade é que mesmo estando em Paris, acreditem que adorava ir para o Algarve para estar com vocês. Paris não é sempre melhor do que o Algarve porque, embora aqui aconteça muita coisa e haja sempre pessoas novas, a verdade é que (pelo menos para mim) tenho começado a dar realmente valor às pessoas que via todos os dias e que eu podia achar rotina, mas a verdade é que não deixvam de me surpreender a cada dia que passava. O que realmente conta são as pessoas com quem construímos coisas. E eu tenho muitas pessoas assim em Lisboa. Por isso é que acho Lisboa (e vá, o Algarve) melhor do que Paris. Embora aqui esteja a criar novas ligações, a verdade é que sinto muitas saudades de Lisboa e da vida que tinha lá (mesmo rotineira). Quando voltar para Portugal vou ficar contente de ter vivido em Paris e de ter feito as coisas que faço e hei-de fazer o tempo que estou cá e de ter conhecido tantas pessoas diferentes. Mas vai-me saber muito bem voltar ao sítio que é realmente a minha casa. Eu estou aqui de passagem e dou muito valor ao estar aqui, acho que é muito importante e vai mudar muitas coisas na minha vida. Mas estou de passagem, e acreditem que não estou triste por abandonar a glamorosa Paris, é um capítulo mesmo muito bom da minha vida, mas o livro inteiro está em Lisboa, ou melhor, nas pessoas que estão em Lisboa. É com elas que vou escrever a minha vida. E ainda bem, gosto dessas pessoas...
Estou muito contente por viver em Paris, mas acreditem que vai-me saber muito bem voltar a Portugal. Chamem-me mente fechada, chamem-me caseira, mas é verdade.
Paris é Paris. Lisboa é a minha casa. Espero ainda viver em muitos outros países ao longo da minha vida. Mas como aqueles emigrantes portugueses dizem: "Eu vivo é durante os 3 meses que volto a Portugal".
Estou muito contente por viver em Paris, mas acreditem que vai-me saber muito bem voltar a Portugal. Chamem-me mente fechada, chamem-me caseira, mas é verdade.
Paris é Paris. Lisboa é a minha casa. Espero ainda viver em muitos outros países ao longo da minha vida. Mas como aqueles emigrantes portugueses dizem: "Eu vivo é durante os 3 meses que volto a Portugal".
Venderam o amor e eu ofereço flyers
Eu não sou contra o amor, até me considero uma pessoa bastante romântica. A liberdade fascina-me mas é bom ter alguém. Mas o dia dos namorados... IRRITA-ME, quando não se tem namorodo (e também quando se têm, depende). Olhámos para todo o lado e vemos pessoas felizes (ou a fingirem ser felizes), outras a fazer um esforço enorme para passar aquele dia, que é igual a tanto os outros, mas que alguém ditou que teria que ser um dia especial. Enfim, venderam o amor.
Estava eu sentada numa esplanada, a irritar-me com o amor no ar quando me lembrei que a felicidade não se constrói apenas a dois e é mesmo importante na vida sabermos ser felizes sozinhas. Guess what? Sou feliz.
Ora bem, como era de esperar, e porque ninguém fica surpreendido, passei o dia sozinha de companhias masculinas mas nem por isso completamente só. A Joana Júdice e eu vivemos juntas durante dias a fio e pensámos até declarar união de facto. Em vão, ela abandonou-me e foi para o Algarve. Já começo a estar habituada... (sniff, sniff)
A única pessoa que me mandou uma mensagem bonita foi o meu pai. Dizia que o importante no dia dos namorados não é ter namorado mas sim alguém que se lembre de nós. Que verdade! Outra pessoa que me mandou uma mensagem foi o senhor Gonçalo Ramalho. Lá está, soube-me bem receber a mensagem. Mas ler um "Feliz dia dos Encalhados" não soube assim tão bem...
Namorados e cocó à parte...
Andei a trabalhar. É verdade, Catarina Costa provou novamente que não é nenhuma tia que ambiciona casar com um rico que sustente os seus caprichos a vida toda. Lá andei eu em Santos, no meio dos carros e da poluição, a distribuir flyers. Foi divertido. Fiquei 3 horas x 5 dias a parar o trânsito. Abriam-se as janelas e: " Boa Tarde, obrigada. Boa Tarde, obrigada. Boa Tarde. Já tem? Obrigada na mesma". Parecia uma canção estragada que só mudava quando escurecia e eu em vez de dizer "Boa Tarde" dizia "Boa Noite".
A Rita sugeriu outra forma de abordar as pessoas , afirmando a pureza da minha raça. "Qué Flyer?" (em pronuncia indiana). Não resultou. Até porque havia pessoas que pareciam ter medo de mim. Deviam achar que se me dissessem um "Não" na cara, eu explodia. As pessoas têm uma imaginação muito fértil.
E hoje é dia de ir para o Algarve. E a ausência sente-se. As saudades apertam. Fazes falta. Vais fazer falta durante estes dias.
O que é que estou para aqui a dizer? Estás em Paris amor... Mesmo sem nós, Paris será sempre melhor do que o Algarve.
Catarina Costa
Estava eu sentada numa esplanada, a irritar-me com o amor no ar quando me lembrei que a felicidade não se constrói apenas a dois e é mesmo importante na vida sabermos ser felizes sozinhas. Guess what? Sou feliz.
Ora bem, como era de esperar, e porque ninguém fica surpreendido, passei o dia sozinha de companhias masculinas mas nem por isso completamente só. A Joana Júdice e eu vivemos juntas durante dias a fio e pensámos até declarar união de facto. Em vão, ela abandonou-me e foi para o Algarve. Já começo a estar habituada... (sniff, sniff)
A única pessoa que me mandou uma mensagem bonita foi o meu pai. Dizia que o importante no dia dos namorados não é ter namorado mas sim alguém que se lembre de nós. Que verdade! Outra pessoa que me mandou uma mensagem foi o senhor Gonçalo Ramalho. Lá está, soube-me bem receber a mensagem. Mas ler um "Feliz dia dos Encalhados" não soube assim tão bem...
Namorados e cocó à parte...
Andei a trabalhar. É verdade, Catarina Costa provou novamente que não é nenhuma tia que ambiciona casar com um rico que sustente os seus caprichos a vida toda. Lá andei eu em Santos, no meio dos carros e da poluição, a distribuir flyers. Foi divertido. Fiquei 3 horas x 5 dias a parar o trânsito. Abriam-se as janelas e: " Boa Tarde, obrigada. Boa Tarde, obrigada. Boa Tarde. Já tem? Obrigada na mesma". Parecia uma canção estragada que só mudava quando escurecia e eu em vez de dizer "Boa Tarde" dizia "Boa Noite".
A Rita sugeriu outra forma de abordar as pessoas , afirmando a pureza da minha raça. "Qué Flyer?" (em pronuncia indiana). Não resultou. Até porque havia pessoas que pareciam ter medo de mim. Deviam achar que se me dissessem um "Não" na cara, eu explodia. As pessoas têm uma imaginação muito fértil.
E hoje é dia de ir para o Algarve. E a ausência sente-se. As saudades apertam. Fazes falta. Vais fazer falta durante estes dias.
O que é que estou para aqui a dizer? Estás em Paris amor... Mesmo sem nós, Paris será sempre melhor do que o Algarve.
Catarina Costa
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Praia e outras coisas.
Ontem dei o primeiro mergulho de 2009! O mar estava gelado e desisti de tentar aprender a surfar... Saí da água com o nariz a sangrar e com os ouvidos a doer insuportavelmente.
Passei o resto do dia na praia, mas vestida.
Pensei em muitas coisas enquanto olhava o mar...
Concretizei finalmente que vou mesmo ter de ficar a fazer o 4º ano de Licenciatura.
Pus-me a fazer contas para conseguir comprar um carro, mas acabei a utilizar esse dinheiro imaginário para fazer umas quantas viagens.
Perguntei a mim mesma quando é que chegava o dia em que comprava a minha casa e os meus electrodomésticos e comia o que me apetecesse.
Saí da praia a pensar nas Gatas e nos banhos de sol que apanhámos no ano passado por esta altura.
Tenho saudades tuas Gata *
Ri-Tá? :)
Passei o resto do dia na praia, mas vestida.
Pensei em muitas coisas enquanto olhava o mar...
Concretizei finalmente que vou mesmo ter de ficar a fazer o 4º ano de Licenciatura.
Pus-me a fazer contas para conseguir comprar um carro, mas acabei a utilizar esse dinheiro imaginário para fazer umas quantas viagens.
Perguntei a mim mesma quando é que chegava o dia em que comprava a minha casa e os meus electrodomésticos e comia o que me apetecesse.
Saí da praia a pensar nas Gatas e nos banhos de sol que apanhámos no ano passado por esta altura.
Tenho saudades tuas Gata *
Ri-Tá? :)
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Está bom tempo! Vou dar uma volta pelo Montmartre... Lalalalala
Escrevam aqui, suas calonas! Isto também é um lugar de partilha vosso. Devem aqui contar vezes sem conta a maneira como têm imensas saudades minhas.
Mas sim, também deviam estar a estudar. Que, olhem, eu tou desejosa para ter aulas. Sim, estou desejosa de ter aulas! Soa estranho. Mas é verdade, queria aprender coisas, mas pronto, lá vou ter de andar a ronhar por Paris outra vez. Que chatice. (*revolver de olhos irónico*)
Escrevam aqui, suas calonas! Isto também é um lugar de partilha vosso. Devem aqui contar vezes sem conta a maneira como têm imensas saudades minhas.
Mas sim, também deviam estar a estudar. Que, olhem, eu tou desejosa para ter aulas. Sim, estou desejosa de ter aulas! Soa estranho. Mas é verdade, queria aprender coisas, mas pronto, lá vou ter de andar a ronhar por Paris outra vez. Que chatice. (*revolver de olhos irónico*)
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Dia da minha namorada...
E hoje é Dia dos Namorados. E pela primeira vez tenho uma pessoa que realmente amo, mas não estou com ela nesta porcaria de dia. Acho que só criaram estes dias para as pessoas que, ou são solteiras, ou estão longe dos respectivos, para se sentirem mal. Estou a fazer um esforço enorme para não pensar nisso, mas é difícil quando ela se tornou uma das pessoas mais importantes da minha vida. A prenda dela deixou-me feliz, mas atiçou ainda mais as minhas saudades. É esquisito, este sentimento. Porque sinto-o espalhado pelo meu corpo, indefinido. É como se estivesse vestida com um manto muito pesado e escuro que, embora me deixa mexer, está sempre lá a tornar cada movimento mais difícil. Não sinto saudades porque estou aqui sozinha, sinto saudades porque me apetece realmente estar com ela. É diferente. Mas o tempo passa, e, mesmo que as saudades façam parecer que os dias são infinitos, ele está sempre a passar da mesma maneira. E a passar depressa.
Light at the end of the tunnel...
Esta semana foi estranha. Já estou bem, para além das saudades, lá está. Mas tenho saído e conhecido gente e tem sido muito bom conhecer gente nova e comparar culturas. Desde o último post que aconteceu muita coisa. Mas não a nível lectivo, porque ainda não tive nenhumas aulas. Ontem fui à faculdade e bati com o anriz na porta porque a maior parte dos professores estão em greve. Espero que isto não me dê nenhuma chatice quando depois forem as notas e as equivalências... Anyway, a saída no passado sábado correu bem, apesar de um gajo do mais bicha que há, se ter atirado a uma Joana incrédula que aquela coisa do mais borboleta que há gostar de raparigas. Enfim... No dia a seguir fui com um amigo da Ana, Miguel, que está aqui a fazer o doutoramento e mais pessoal do laboratório dele ver o jogo Benfica-Porto numa verdadeira tascosa de emigrantes portugueses. Ahah, foi hilariante ouvi-los gritar, "Mais oui, caralho de merda!" (tal e qual, não estou a inventar). Na segunda ainda andava deprimida, mas fui à faculdade e conheci pessoal de Erasmus e fui com eles fazer uma pequena tour ao Hotel de Ville (espécie de camâra municipal de Paris, mas um edíficio mais parecido com o Palácio de Versailles). Andava eu perdida pela faculdade, triste por não conhecer ninguém de Erasmus, quando vi duas raparigas que me pareciam nórdicas, perguntei se eram e depois lá fui com elas para a tal tour. Mas estava a chover a cantâros e as coisas não correram muito bem para os meus ténis. Na terça, o que é que eu fiz? Hm... Ah! Fui a uma aula de BD, mas era demasiado avançada para mim, então desisti da ideia. Sei desenhar, mas não como eles. Crap. Bem, depois estive a andar pela cidade, mas voltei cedo para casa onde estive a ver séries com a Isabel (a rapariga brasileira que me deu casa) até ir falar com a Ana pelo Skype. Ainda pensei ir a uma festa Erasmus num barco, mas pensei que talvez fosse melhor não ir fazê-lo sozinha. Mas depois ainda tentei ir ter a um bar onde estavam alunos estrangeiros, mas perdi-me e voltei para casa. Foi frustrante. Na quarta andei pela cidade também e fui ao Cemitério de Père Lachoise onde estão enterrados o Jim Morrison e o Oscar Wilde, por exemplo. Mas só vi a campa do primeiro porque entretanto me perdi, porque aquilo é enorme e depois já eram horas de o cemitério fechar. O silêncio era absoluto e, embora seja um cemitério, como estava uma luz tão bonita, tudo me parecia tão etéreo, tão espiritual. Digo-vos que se naquele dia tivesse visto lá um fantasma que não fugia e ia a correr cumprimentá-lo. Depois fui jantar com o Miguel e uma colega dele, a Sara, à residência dele. Comemos imenso, salmão e risotto, foi íncrivel. Ele cozinha muito bem. Gostei mesmo muito de ir jantar com eles, a conversa foi mesmo muito gira e sabe-me bem falar em português e não ter de fazer um esforço para pensar em qual palavra devo usar. Depois fomos a uma festa na Casa de Portugal (aqui cada edificio é de um país) onde, lá está, encontrámos portugueses e andámos a fazer porcaria e a gozar com aquilo, porque o arquitecto não teve uma ideia muito feliz e aquilo parece uma discoteca vista de fora, com neons e dourados, e um bordel visto de dentro porque as paredes são escuras e as luzes, vermelhas. Na quinta, nós tivemos de ir tratar de uns documentos para ajuda monetária de alojamento, mas aquilo foi muito estranho. Chegámos e como estávamos em pé no hall de entrada (só em pé, mais nada) um empregado veio ter connosco e quase começou uma briga com o Miguel que lhe pediu para não ser mal-educado quando nos disse para sairmos dali. Depois sentámo-nos mas os nossos tickets não eram chamados, por isso fomos embora a mandar à merda a burocracia e a educação dos parisienses. Fui ainda ao laboratório deles ver como trabalhavam e à noite encontrei-me com Iina, uma rapariga finlandesa que, graças aos céus, fala inglês, e conversámos a noite toda. Voltei para casa de autocarro e passei pelo Moulin Rouge e deu-me imensas saudades do Verão em que andámos a tirar aquelas fotos de cabelos ao vento... Na sexta fui para a faculdade ter aulas, mas não tive, encontrei então um rapaz tunisino, Zied, que não sabia onde era a aula dele, fui com ele mostra-lhe, e, como não tinha nada para fazer, fui à aula com ele, mas só durou uma hora por causa da greve também. Fomos tomar um café e tivemos uma conversa mesmo interessante sobre música, religião, filosofia, e mais não sei o quê. E, guess what?! Foi em francês! MWAHAHAH! Sim, consegui ter uma conversa em francês, com algumas calinadsa na gramática, é óbvio, mas com pés e cabeça e percebi tudo o que ele disse. Fui-me embora orgulhosa de mim própria. Ontem, depois disso vim para a minha nova casa, o quarto do Miguel, onde vou ficar enquanto ele está em Portugal. Segunda vou para a minha residência e mal posso esperar para ter finalmente o MEU quarto e não ter de andar a acartar a mala de um lado para o outro. À noite fui ter com um pessoal de Erasmus, mas voltei antes de o metro fechar porque queria ainda fazer umas coisas para a Ana antes de hoje, sábado. Foi engraçado, o bar era excelente e conheci imensos brasileiros e algum dos Erasmus da minha faculdade que já tinha visto, mas não conhecia pessoalmente. E hoje estou aqui, com muita preguiça e muitas saudades...
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Tout seule en Paris
Hoje acordei com vontade nenhuma de sair da cama. Sinto-me mole e impotente. Mas saí e fui dar uma volta por Paris. Voltou o mau tempo e tive de me proteger bastante, mas o frio que me cortava a cara sabia-me bem, pelo menos conseguia sentir alguma coisa para além da dormência que me invade a alma. Pela primeira vez vi nevar e senti os flocos a baterem-me na cara. Tive pena de não ter nevado o suficiente para o chão ficar branco, mas pelo menos assim pude andar sem problemas de maior. Levei as minhas duas camâras, e ainda bem, porque a Nikon ficou sem bateria. Saí de casa e encaminhei-me para o rio, ia seguir ao longo dele até ao Louvre. Pelo caminho apercebi-me que tinha chegado à catedral de Notre Dame. Não me lembro de ter entrado lá este verão, só me lembro de ver as suas torres iluminadas à notie enquanto passávamos de barco. Entrei, era grátis, e fiquei de boca aberta. É mesmo muito bonita e tive pena de não ter dinheiro para entrar na parte da exposição. Depois de dar a volta pela catedral e tentar fazer algumas fotografias artísticas, sentei-me e consegui ficar calma, pela primeira vez aqui em Paris. À minha volta estavam imensos casais e lembrei-me de estar com a Ana no Mosteiro de Alcobaça (ok, não se podem comparar os sítios, mas fez-me lembrar o momento que fui com ela). Depois saí e reparei numa placa que dizia Centre Georges Pompidou, como não fui lá no Verão decidi virar e ver o que é que ele tem de especial. Não fiquei muito tempo porque a entrada era paga, mas dei uma vista de olhos a uma livraria de arte, onde encontrei um livro enorme do David Shrigley, mas era 10 euros e eu tinha prometido a mim própria não gastar dinheiro hoje. Depois fui ver uma loja de coisas cool e modernas dentro do museu e vi lá Holgas como a minha, por isso já me posso considerar da moda, ahah. Depois perdi-me dentro de um centro comercial perto do Pompidou, mas lá dei com a saída e decidi ir ter à Torre Eiffel para ver se a pegada das gatas ainda lá estava. Mas como estava um pouco cansada e tinha passes de metro, entrei na estação, mas a meio fui apanhada por uma inspectora que me disse que o meu Cartão Jovem não dá para ter a tarifa reduzida (eu nem me lembrava que tinha comprado tarifa reduzida) por isso lá tive de despejar 25 euros como multa. Lá se foi a minha promessa de não gastar dinheiro hoje. Merda. Isto não ajudou nada à minha moral que já era muito baixa, mas continuei pelo metro mas agora com vontade de chorar. Andei um bocado coma neve a cair cada vez mais forte e lá dei com a pegada que continua exactamente no mesmo sítio, um pouco apagada, mas ainda lá. Pensei no Verão e fiquei com imensas saudades daquele mês, fiquei a olhar para o ponto no rio onde caiu a rolha do espumante que abrimos e as lágrimas começaram a escorrer pela cara. Fui para debaixo da ponte e fiquei lá a soluçar durante um bocado. Sinto-me completamente sozinha desde que cá estou, abandonada. Pus-me a questionar se vir para aqui tinha sido um erro. Mas acalmei-me e decidi voltar a casa a pé não só por que afinal não posso usar os meus bilhetes de metro, mas também para espairecer um pouco. Enquanto passeava pela rua tudo em fazia lembrar a Ana, mesmo nunca tendo estado com ela nesta cidade. Passei por lojas a venderem caixas de música, coisas finesse para animais, sei lá, até a porra da Torre Eiffel! Só me apetece levá-la até ao último andar... Enfim... Continuei até ao Louvre, ams não entrei, estive a tirar fotos em sítios que estivemos no verão e depois continuei. Ao passar uma ponte no caminho para casa dei por mim no sítio onde nós a quatro tínhamos começado a fantástica tour com aquele guia americano anoréctico e maluco e ao lado estava a loja onde comprei o meu chapéu. Fiquei tão melancólica, mas contente ao mesmo tempo. Continuei para casa que não é muito longe daquele sítio e cheguei a casa pouco antes de anoitecer, este passeio levou-me praticamente todo o dia. Cheguei e pouco depois a Isabel e a Camille saíram e eu fiquei aqui no pc. Estava a sentir-me mal, como aliás me tenho sentido, mas depois de uma conversa com as Joanas e a Catarina (beijinho para a Rita), quis mudar a minha sorte e combinei uma saída com um rapaz que também está aqui a estudar momentaneamente, mas a fazer o mestrado. Vou ter com ele daqui e poco e espero que a noite seja boa. Pelo menos vou conversar com alguém, coisa que já não faço há muito tempo, a não ser por telefone. Estive a ouvir a música da Ana no myspace para ver se a voz dela me animava e foi o que aconteceu. Senti-a perto de mim e isso acalma-me. Bem, vou sair daqui a pouco. Fingers crossed!
Sangria vs Vodka
Parece-me que estivemos juntas, a apanhar essa bebedeira.
Jantar da Mariana (que te mandou um beijinho que me esqueci de entregar). Eu e mais 20 caloiros. É, eu tenho o meu lado jovem bastante apurado. 20 caloiros animados. 1 veterana danada para a conversa. 20 copos de sangria. Bairro. 2 caipiroscas de morango. Uma oferecida juntamente com um shot (é o que dá conhecer o barman).
Enfim, a noite acabou às 2 da manhã, quando os meus planos eram tão melhores do que ir dormir.
As ruas estavam com a mesma luz de sempre, a calçada fez os meus pés embriagados tropeçar e não houve glamour nenhum na minha noite. Foi uma noite perdida. Para ti, foi a primeira de muitas noites em Paris. E pode não ter havido muita conversa, o gelo ainda não ter sido quebrado mas são desses pequenos momentos que se criam momentos para mais tarde recordar.
Já eu não posso dizer o mesmo...
Catarina
Jantar da Mariana (que te mandou um beijinho que me esqueci de entregar). Eu e mais 20 caloiros. É, eu tenho o meu lado jovem bastante apurado. 20 caloiros animados. 1 veterana danada para a conversa. 20 copos de sangria. Bairro. 2 caipiroscas de morango. Uma oferecida juntamente com um shot (é o que dá conhecer o barman).
Enfim, a noite acabou às 2 da manhã, quando os meus planos eram tão melhores do que ir dormir.
As ruas estavam com a mesma luz de sempre, a calçada fez os meus pés embriagados tropeçar e não houve glamour nenhum na minha noite. Foi uma noite perdida. Para ti, foi a primeira de muitas noites em Paris. E pode não ter havido muita conversa, o gelo ainda não ter sido quebrado mas são desses pequenos momentos que se criam momentos para mais tarde recordar.
Já eu não posso dizer o mesmo...
Catarina
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Vendredi
Cheguei ontem a Paris. Depois de um caminho atribulado para levar uma mala enorme pelo caótico metro parisiense dei facilmente com a minha casa temporária. Dei graças a Deus pelas ruas não serem calcetadas como a das portuguesas e as rodas da mala deslizaram suavemente pelo cimento. Conheci as donas da cama onde vou dormir durante uma semana, Isabel, filha de um diplomata que já viveu em 11 países mas mantém a maneira de ser animada e extrovertida dos brasileiros e Camille, uma canadiana que não fala muito comigo, mas parece simpática. A casa é com vista para um canal e, apesar do frio de rachar que andaram a anunciar o tempo todo, hoje está só um pouco de frio e paira uma luz laranja que me faz sentir bem. Ontem à noite bebi shots de vodka com a Isabel porque ela soube que o ex-namorado já tinha outra rapariga. Mas bebi demais e acabei a noite bastante cedo. Caí na cama como uma pedra, mas acordei às 9h da manhã porque a luz que entra pela janela já estava demasiado forte. Passei o dia inteiro enjoada por causa da brincadeira. Mas foi giro falar com ela a noite toda (enquanto ainda conseguia falar), se bem que não deu para quebrar completamente o gelo. Levantei-me passado algum tempo e tomei banho a custo, estava muito fraca e com os movimentos lentos. Mas cá se fazem, cá se pagam, já dizia o outro. Depois fui até à faculdade, que é longíssimo, mas não faz mal, de metro vai-se bem. O movimento do comboio piorou o meu enjoo e tive de sair para ir beber água a um café, senão não aguentava. Depois voltei para o metro, mas o comboio onde estava não era para o sítio onde queria ir, porque a linha vai no mesmo sentido, mas os comboios que vão dar à estação da minha faculdade são intercalados com outros que vão para outro sítio. Tive de voltar para trás para entrar no comboio certo, mas não demorou muito tempo. Cheguei à faculdade e andei um pouco perdida por lá, mas com a boca se vai a roma e lá dei com o Gabinete de Relações Internacionais. Atendeu-me uma senhora muito simpática e que falava inglês (um das poucas pessoas que o faz neste país) e encaminhou-me para o gabinete de comunicação, mas depois percebi que não é a área que quero, tenho de lá ir dizer-lhe que era suposto ir para cinema. Bem, de qualquer maneira, o gabinete de comunicação estava fechado e eu vim-me embora. A universidade é enorme e as condições não são melhores que a FCSH, mas pelo menos há portas nas casas de banho. Não conheci ninguém, não estava muita gente porque ainda está tudo de férias. Espero que o pessoal seja simpático e que fale um pouco de inglês senão estou em maus lençóis. Bem, fui comprar bananas porque ainda não tinha posto nada no estômago e como só tinha uma nota de 20 euros o senhor lá me deixou ir com a promessa de que pagaria da próxima vez. Espero que ele mude de sítio. Voltei para casa, o que me levou mais outra hora de viagem, e estive na net desde que cheguei. Entretanto fomos comprar comida e torrei 70 euros, porque elas pediram-me para ser eu a pagar como vou ficar lá em casa e não vou pagar mais nada. França é cara, merda. Enfim, agora aqui estou sentada à frente do PC a ver uma nesga de Paris à noite pela janela. Não estou com o feeling de ir sair, a ressaca ainda dura e devo ficar aqui por casa a planear o fim de semana. Acho que vou a Versailles, ainda não sei. Talvez fique por Paris e vá ver a pegada que deixámos cá no Verão. Enfim... O meu primeiro dia em Paris não foi muito glamoroso, mas espero que daqui para a frente seja ascendente. Tenho saudades da Ana, gostava de poder estar aqui com ela, mas vou tentar aproveitar ao máximo para que este tempo e esta distância valham a pena. Não tenho muito mais para dizer... Mas gosto da luz desta cidade, acho que vai ser bom...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Capítulo 1
Amanhã uma de nós vai mudar de cidade.
De Lisboa a Paris são 1734 KM. Umas quantas palavras de distância.
Que aqui se partilhem as rotinas, os momentos especiais, as saudades, as próximas memórias.
Que seja este o primeiro capítulo de uma história longa.
Volta depressa.
De Lisboa a Paris são 1734 KM. Umas quantas palavras de distância.
Que aqui se partilhem as rotinas, os momentos especiais, as saudades, as próximas memórias.
Que seja este o primeiro capítulo de uma história longa.
Volta depressa.
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