sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Vendredi

Cheguei ontem a Paris. Depois de um caminho atribulado para levar uma mala enorme pelo caótico metro parisiense dei facilmente com a minha casa temporária. Dei graças a Deus pelas ruas não serem calcetadas como a das portuguesas e as rodas da mala deslizaram suavemente pelo cimento. Conheci as donas da cama onde vou dormir durante uma semana, Isabel, filha de um diplomata que já viveu em 11 países mas mantém a maneira de ser animada e extrovertida dos brasileiros e Camille, uma canadiana que não fala muito comigo, mas parece simpática. A casa é com vista para um canal e, apesar do frio de rachar que andaram a anunciar o tempo todo, hoje está só um pouco de frio e paira uma luz laranja que me faz sentir bem. Ontem à noite bebi shots de vodka com a Isabel porque ela soube que o ex-namorado já tinha outra rapariga. Mas bebi demais e acabei a noite bastante cedo. Caí na cama como uma pedra, mas acordei às 9h da manhã porque a luz que entra pela janela já estava demasiado forte. Passei o dia inteiro enjoada por causa da brincadeira. Mas foi giro falar com ela a noite toda (enquanto ainda conseguia falar), se bem que não deu para quebrar completamente o gelo. Levantei-me passado algum tempo e tomei banho a custo, estava muito fraca e com os movimentos lentos. Mas cá se fazem, cá se pagam, já dizia o outro. Depois fui até à faculdade, que é longíssimo, mas não faz mal, de metro vai-se bem. O movimento do comboio piorou o meu enjoo e tive de sair para ir beber água a um café, senão não aguentava. Depois voltei para o metro, mas o comboio onde estava não era para o sítio onde queria ir, porque a linha vai no mesmo sentido, mas os comboios que vão dar à estação da minha faculdade são intercalados com outros que vão para outro sítio. Tive de voltar para trás para entrar no comboio certo, mas não demorou muito tempo. Cheguei à faculdade e andei um pouco perdida por lá, mas com a boca se vai a roma e lá dei com o Gabinete de Relações Internacionais. Atendeu-me uma senhora muito simpática e que falava inglês (um das poucas pessoas que o faz neste país) e encaminhou-me para o gabinete de comunicação, mas depois percebi que não é a área que quero, tenho de lá ir dizer-lhe que era suposto ir para cinema. Bem, de qualquer maneira, o gabinete de comunicação estava fechado e eu vim-me embora. A universidade é enorme e as condições não são melhores que a FCSH, mas pelo menos há portas nas casas de banho. Não conheci ninguém, não estava muita gente porque ainda está tudo de férias. Espero que o pessoal seja simpático e que fale um pouco de inglês senão estou em maus lençóis. Bem, fui comprar bananas porque ainda não tinha posto nada no estômago e como só tinha uma nota de 20 euros o senhor lá me deixou ir com a promessa de que pagaria da próxima vez. Espero que ele mude de sítio. Voltei para casa, o que me levou mais outra hora de viagem, e estive na net desde que cheguei. Entretanto fomos comprar comida e torrei 70 euros, porque elas pediram-me para ser eu a pagar como vou ficar lá em casa e não vou pagar mais nada. França é cara, merda. Enfim, agora aqui estou sentada à frente do PC a ver uma nesga de Paris à noite pela janela. Não estou com o feeling de ir sair, a ressaca ainda dura e devo ficar aqui por casa a planear o fim de semana. Acho que vou a Versailles, ainda não sei. Talvez fique por Paris e vá ver a pegada que deixámos cá no Verão. Enfim... O meu primeiro dia em Paris não foi muito glamoroso, mas espero que daqui para a frente seja ascendente. Tenho saudades da Ana, gostava de poder estar aqui com ela, mas vou tentar aproveitar ao máximo para que este tempo e esta distância valham a pena. Não tenho muito mais para dizer... Mas gosto da luz desta cidade, acho que vai ser bom...

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