sábado, 7 de fevereiro de 2009

Tout seule en Paris


Hoje acordei com vontade nenhuma de sair da cama. Sinto-me mole e impotente. Mas saí e fui dar uma volta por Paris. Voltou o mau tempo e tive de me proteger bastante, mas o frio que me cortava a cara sabia-me bem, pelo menos conseguia sentir alguma coisa para além da dormência que me invade a alma. Pela primeira vez vi nevar e senti os flocos a baterem-me na cara. Tive pena de não ter nevado o suficiente para o chão ficar branco, mas pelo menos assim pude andar sem problemas de maior. Levei as minhas duas camâras, e ainda bem, porque a Nikon ficou sem bateria. Saí de casa e encaminhei-me para o rio, ia seguir ao longo dele até ao Louvre. Pelo caminho apercebi-me que tinha chegado à catedral de Notre Dame. Não me lembro de ter entrado lá este verão, só me lembro de ver as suas torres iluminadas à notie enquanto passávamos de barco. Entrei, era grátis, e fiquei de boca aberta. É mesmo muito bonita e tive pena de não ter dinheiro para entrar na parte da exposição. Depois de dar a volta pela catedral e tentar fazer algumas fotografias artísticas, sentei-me e consegui ficar calma, pela primeira vez aqui em Paris. À minha volta estavam imensos casais e lembrei-me de estar com a Ana no Mosteiro de Alcobaça (ok, não se podem comparar os sítios, mas fez-me lembrar o momento que fui com ela). Depois saí e reparei numa placa que dizia Centre Georges Pompidou, como não fui lá no Verão decidi virar e ver o que é que ele tem de especial. Não fiquei muito tempo porque a entrada era paga, mas dei uma vista de olhos a uma livraria de arte, onde encontrei um livro enorme do David Shrigley, mas era 10 euros e eu tinha prometido a mim própria não gastar dinheiro hoje. Depois fui ver uma loja de coisas cool e modernas dentro do museu e vi lá Holgas como a minha, por isso já me posso considerar da moda, ahah. Depois perdi-me dentro de um centro comercial perto do Pompidou, mas lá dei com a saída e decidi ir ter à Torre Eiffel para ver se a pegada das gatas ainda lá estava. Mas como estava um pouco cansada e tinha passes de metro, entrei na estação, mas a meio fui apanhada por uma inspectora que me disse que o meu Cartão Jovem não dá para ter a tarifa reduzida (eu nem me lembrava que tinha comprado tarifa reduzida) por isso lá tive de despejar 25 euros como multa. Lá se foi a minha promessa de não gastar dinheiro hoje. Merda. Isto não ajudou nada à minha moral que já era muito baixa, mas continuei pelo metro mas agora com vontade de chorar. Andei um bocado coma neve a cair cada vez mais forte e lá dei com a pegada que continua exactamente no mesmo sítio, um pouco apagada, mas ainda lá. Pensei no Verão e fiquei com imensas saudades daquele mês, fiquei a olhar para o ponto no rio onde caiu a rolha do espumante que abrimos e as lágrimas começaram a escorrer pela cara. Fui para debaixo da ponte e fiquei lá a soluçar durante um bocado. Sinto-me completamente sozinha desde que cá estou, abandonada. Pus-me a questionar se vir para aqui tinha sido um erro. Mas acalmei-me e decidi voltar a casa a pé não só por que afinal não posso usar os meus bilhetes de metro, mas também para espairecer um pouco. Enquanto passeava pela rua tudo em fazia lembrar a Ana, mesmo nunca tendo estado com ela nesta cidade. Passei por lojas a venderem caixas de música, coisas finesse para animais, sei lá, até a porra da Torre Eiffel! Só me apetece levá-la até ao último andar... Enfim... Continuei até ao Louvre, ams não entrei, estive a tirar fotos em sítios que estivemos no verão e depois continuei. Ao passar uma ponte no caminho para casa dei por mim no sítio onde nós a quatro tínhamos começado a fantástica tour com aquele guia americano anoréctico e maluco e ao lado estava a loja onde comprei o meu chapéu. Fiquei tão melancólica, mas contente ao mesmo tempo. Continuei para casa que não é muito longe daquele sítio e cheguei a casa pouco antes de anoitecer, este passeio levou-me praticamente todo o dia. Cheguei e pouco depois a Isabel e a Camille saíram e eu fiquei aqui no pc. Estava a sentir-me mal, como aliás me tenho sentido, mas depois de uma conversa com as Joanas e a Catarina (beijinho para a Rita), quis mudar a minha sorte e combinei uma saída com um rapaz que também está aqui a estudar momentaneamente, mas a fazer o mestrado. Vou ter com ele daqui e poco e espero que a noite seja boa. Pelo menos vou conversar com alguém, coisa que já não faço há muito tempo, a não ser por telefone. Estive a ouvir a música da Ana no myspace para ver se a voz dela me animava e foi o que aconteceu. Senti-a perto de mim e isso acalma-me. Bem, vou sair daqui a pouco. Fingers crossed!

2 comentários:

  1. hoje estou em baixo. chove imenso aqui e nao estou neste momento em pé ao pé debaixo de um toldo de um café p poder ter net.
    ontem andei com ciumes e preocupada. sinto me impotente por estares ai sozinha e eu n poder fazer nada. se tivesse asas, voava ate ti. nao tenho, por isso so posso pensar e sonhar contigo. há pontes invisiveis e inquebraveis. é isso que nos liga.

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  2. És uma cidadã da Paris meu amor! :D
    Compras fiado no primeiro dia, embebedas-te na primeira noite, és multada em menos d euma semana... quando deres por ti já não queres voltar :P
    Quanto às tarifas reduzidas, pergunta se podes usar o cartão de estudante internacional. Se for preciso eu faço-te envio-te.
    Vê lá se sorris mais vezes: as saudades só tornam as relações mais fortes e completas. Mal posso esperar para te ver, aí no teu novo mundo! :)

    "Mãe"

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